sexta-feira, 16 de abril de 2010

Era perfeito

Mesmo que eu não esteja muito acostumada com esse estilo de texto, eu ando tendo uns lapsos que me levam a escrever coisas assim. Resolvi postar este então, que, curiosamente, foi inspirado por "Avatar". Sim, sou uma mente criativamente influenciável, se isso fizer algum sentido.

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Simplesmente extasiante.

A cada passo seu sobre aquela terra macia, o espaço vazio em seu coração parecia estar sendo preenchido pela serenidade das plantas que lhe acariciavam o corpo. Ele gostava do roçar delicado delas, o contagiando com a aura livre e pura, sussurrando: estamos aqui. Ele gostava mesmo de se sentir tão impressionado, como se estivessem abrindo uma porta feita de véus invisíveis, que o libertava de suas próprias amarras tristes e enfadonhas de uma vida cinzenta

Sua boca era incapaz de soltar sons, e ele nem queria que fosse ou quebraria o encantamento. A sua voz seria um grunhido selvagem e feroz diante de tudo o que via, e sentia. Das emoções que provava e não conseguia controlar.

Talvez fosse a incrível beleza de todas as formas de vida à sua frente. Exuberantes ou delicadas, tímidas, coloridas, serenas, aladas, rápidas, suaves e cheias de algo – algo que o fazia olhar para elas com outros olhos. Até mesmo as mais sombrias, com seu próprio encanto profundo no olhar ingênuo. Ele queria contemplá-las para sempre.

Ou talvez fosse o contato da sua pele com o ar puro, cheio de uma energia fresca, interminável. Ela envolvia seu ser por todos os lados, o deixando sem ter para onde fugir da paz que inundava sua mente. Pela primeira vez na sua vida, ele gostava de se sentir encurralado por algo. À deriva.

Os conflitos desapareciam, junto com as dúvidas, os medos feitos de fraquezas totalmente humanas. Seus olhos se fechavam para as grandes coisas medonhas que via apenas no sonhar, e se abriam para ver os sons.

Sentir as cores.

Ouvir cada pequeno detalhe daquele mundo que ele pensara ser impossível existir, sem despertá-lo com seus movimentos tão humanos e desajeitados, sem acordá-lo ou gerar desordem ao respirar.

Ah, mas quando ele respirava para absorver a tranqüilidade diretamente daquela energia que o circulava, os pulmões se enchiam com a bioluminescência da noite. A natureza tomava sua alma nos braços e a fazia se elevar. Se curar. Então seu corpo, sua mente e seus sentidos, cada ponto do seu ser era feito de equilíbrio. A harmonia corria lentamente nas suas veias, suas capacidades eram completas, seu domínio era absoluto porque ele não tinha controle sobre nada.

E quando ele via de olhos fechados, sentindo com a sua mente, ouvindo o silêncio e analisando com seu coração, ele entendia que tudo era parte de um. Não havia nada que precisava ser feito ou mudado.


Era perfeito.



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1 comentários:

Steph S. R. disse...

Gostei muito desse texto, principalmente porque a emoção dele é bastante linear, mesmo com a medida que o texto cresce. Também gostei da inversão dos sentidos ("... e se abriam para ver os sons."), dá o sentimento da imersão que ele está sentindo nesse lugar. E a ambientação, é visível aos olhos, hehe.

Ótimo para ler com uma música bem suave, faz você se sentir ainda mais morno com cada passagem.

Love you, =D

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