domingo, 6 de junho de 2010

Vale quase tudo

   Eu entendo a diferença entre os Livros Comerciais e os Literários, ao contrário de muitos que dizem "eu gostei, então é literatura" (ódio mortal, on). Não sou especialista nem formada em Letras, não sou crítica, não sou ninguém especial, mas entendo porque é uma simples questão de senso. E chega a ser risível como algumas pessoas fazem questão de ignorar o abismo entre eles.
   Mas, omg, me irrita profundamente o fato de que ninguém parece entender que Literatura não tem que, necessariamente, ser algo chato. O que acontece é que os livros Literários que temos não são nada atuais, logo, não compartilhamos dos seus objetivos. Logo, a Literatura acaba sendo vista como algo complicado demais para a nossa "geração preguiçosa", quando, na verdade, ela só é insuportávelmente incompatível.
   Primeiro que quando a geração muda, os valores e preocupações dos jovens mudam, e o que era considerado como algo maravilhoso pode se tornar um lixo. Mas não se trata só da nossa "juventude perdida" ou de como estamos "nos lixando para a cultura". Esses jovens existem, sim, mas os jovens que não fazem parte desse grupo também. Há quem se importe, mas é muito difícil absorver uma linguagem e um modo de pensar que não nos pertence mais.
   Não estou julgando a questão de gosto, porque há quem goste de ler Literatura. O que ninguém gosta é ter algo em mãos que não compreende. Ler 'O Alienista' é maçante, mesmo. Em pleno segundo ano, eu me lembro bem, era muito sofrimento. Eu sabia qual era a razão pela qual líamos aquilo, sabia que era importante, mas não deixava de ser algo entediante e desestimulante. 
   As pessoas não entendiam uma linha! 
   De que vale obrigar alguém a ler algo que não entende?
   O livro é genial, Machado de Assis é genial, e é claro que nos obrigar a, pelo menos, ler algumas páginas de seus livros e ter o conhecimento básico sobre ele não é o problema. Conhecer a Literatura, tentar absorver a Literatura, não é o problema. O problema é que parecemos obrigados a gostar disso.
   Por favor. Eu, Giovana, gosto de ler e de escrever. Se eu disser que leio a poesia Modernista Brasileira, minha escrita será valorizada de um jeito. Se eu disser que leio Dostoevsky, já será vista com outros olhos. Mas e se eu disser que leio livros bobos? Não livros ruins, mal escritos, mal feitos, mal trabalhados, mas livros... Normais.
Romances água com açucar, fofocas adolescentes. Histórias normais. E se eu prefirir personagens profundos à discussões filosóficas? Ou algo que seja até muito legal, mas não seja considerado Literatura? Você realmente acha que alguém escreve mal só por que lê coisas atuais demais para ter aquele ar de pompa intelectual que a Literatura confere?
   Se eu pudesse, teria a coleção de Machado de Assis na minha prateleira. Colecionaria antiguidades, dentre elas livros velhos, raros, daqueles em que a impressão chega a confundir as letras. Daqueles que invertem as ordens das frases, escrevem palavras de um jeito ou com um emprego que não se usa mais. E teria livros Literários. Mas, eu os leria? 
    E adianta mesmo escrever para ninguém ler?
   Não no sentido do seu diário, seu blog pessoal, suas cartas de você para você mesmo. Conheço muita gente que escreve para si, e até yo tenho meus textos pessoais também. Estou falando é de escrita, de livros, de discussões, de personagens, de público. Adianta escrever algo que não será entendido? Adianta tentar, então, copiar a Literatura como a conhecemos? Porque naquela época, eles podiam entender muito bem. Talvez não vissem cada pedacinho importante e detalhe, mas é diferente. Hoje em dia, eu duvido que alguém sem pré-requisitos  sérios ou formação consiga entender realmente a obra.
    Você vai escrever como Machado, esperando que alguém leia? Ah tá, bjs.
   Acho que vale mais a pena criar algo novo. Porque não podemos ter uma crítica, um engajamento, uma novidade, uma forma diferente de escrever (porque, segundo o meu humilde conhecimento de terceiro ano, é isso que difere um livro de um livro literário) e construir uma nova Literatura?
   Faça do seu jeito. Critique o que você acha que merece um tomate na cara. Crie suas coisas e espere pela aprovação ou desaprovação - porque todos estamos sujeitos à tal. Se você faz algo para o mundo, o mundo pode criticar você. Mas não se prenda à idéia de que ler algo que não seja o ó do borogodó faz você menos inteligente, capacitado ou digno de ingressar no mundo Literário (no fim das contas, ele ainda é um sonho almejado). Escrever algo que não seja super sério não quer dizer que você não tenha propósito. Usar palavrões (olá, King) não é contra as regras. Nós usamos todo dia. Neologismo? Cara, a história é sua. Homossexualidade, polêmicas? Se for importante para a obra, para a construção dos personagens ou para o entendimento da sua ideologia, quem somos nós para dizer que não? Quem é qualquer um para dizer não a algo diferente, mas cabível?
   Tendo bom senso e uma capacidade mínima de diferenciar o que você pode escrever do que você deve escrever, e como isso varia dependendo de você mesmo, acho que tá valendo.
   Vale tudo.  I mean... Quase.




(Quase um texto encorajador para mim mesma, mas ok, serve para mim bem como para todo mundo que pensa o mesmo ou acha que sou louca, whatthefuckever)

1 comentários:

Kethlyn disse...

Eu li. Tudo. As 2:42 da manhã. Prima, eu vou comprar seus livros! Acredito em você. Acho mesmo que você (e seus amigos talentosos que escrevem alucinados iguais a você) tem futuro e daqui alguns anos, muita luta e pelo menos algum livro publicado, podem sim criar uma "Nova escola literária". Por que não? Foram "jovens" escritores que tomaram a iniciativa e criaram o Modernismo, por exemplo. Agora, saia desse blog e vá terminar um de seus livros porque eu quero ler!!! Oras! ¬¬

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