sábado, 26 de junho de 2010

Falo Mesmo (continuação)

   E eu já me perdi... Qual é a linha? Bem, enfim, marcas não significam nada.  As pessoas são cegas sobre o que vestem. Porque, Meu Senhor e Bom Deus, eu já vi cada peça horrorosa que era super considerada só porque tinha nome! E todo mundo aplaude como se fosse acefalado, não sabendo distinguir se vai aplaudir porque lhe agradou ou porque é "obrigado" a gostar. Francamente, é como dizer que leu Shakespeare e esperar que as pessoas te admirem, quando isso não afirma nada sobre você ser inteligente, legal, ou seja lá que merda você queira mostrar que é. 
   Vi algo muito parecido na rua esses dias: uma menina que estava com peças bonitas. Sapatilhas bonitas, veludo vermelho; uma bolsa azul bem chique, que lembrava o clássico da Chanel; uma calça daquelas coladas que estão super na moda (mas ninguem sabe como usar e ficam estragando a peça, que merda) e uma blusa super moderninha. Ah, e um óculos. Cada peça dela era muito bonita, e parecia ter custado uma nota. Mas estava muito mal feito, o look.
   Não tinha conexão, foi como se ela pensasse que, juntando várias peças bonitas, ela fosse arrasar.
   É o mesmo que ler Shakespeare (sim, esse exemplo de novo porque não sou tão criativa assim) e dizer que é culta. Ou dizer que faz ballet e pensar que é uma bailarina. Ou saber fazer um ovo frito e dizer que cozinha. O cu não tem nada a ver com as calças!
   Sabe onde eu acho boas peças? No guarda roupa da minha mãe. E não é porque ela vai em grandes lojas e compra coisas lindas, é porque há uma coisa que se chama valorizar. Peças de família, coisas antigas que nem se sabe onde comprou... Qual o valor que isso pode ter? Não há dinheiro, é algo muito maior, que meche com o que você é porque envolve suas raízes. de-onde-você-veio. Há coisas que só precisam de um olhar diferente para que se veja a beleza nelas.
   Sabe onde eu gosto de ir? Em lojas baratas. Não na Otoch, mas em lojas que não se conhece o nome, porque ninguém nem repara nelas. Parecem lojas de cidades bem do interior, sabe? Com aqueles modelos mais antigos e clássicos?  Acho cada coisa linda lá dentro, que deixariam um look tão rico.  Nesses lugares eles não cobram o olho da cara por algo que se chama NOME e sempre sou bem atendida. Meu Deus, e se tem uma coisa que eu aprendi com a minha mãe, é que ser humilde nunca é demais. E eu vejo pessoas passando por essas lojas virando a cara, e acho que até eu já fiz isso em épocas mesquinhas da minha vida. E por quê? Porque não é uma droga de marca? Você sequer olhou dentro da loja, e olhou o atendente com desprezo por quê? Ele é pior que você?
   Acho que é isso o que me revolta. Falta de senso, de discernimento. Claro que eu relacionei a moda no meu jeito de ver, mas o ser humano faz isso em muitos outros casos. Custa muito não julgar? Ficar em silêncio, isso dói? Ou a sua boca é uma descarga automática? Você tem que dizer tudo o que pensa, mesmo se ninguém perguntou, mesmo se não acrescenta e mesmo se machuca os outros?
   Mas todo mundo faz um pouco disso, não é? Eu também. Somos todos um defeito.
   Hahaha, e vai demorar até que essa situação melhore! Falo mesmo!
  

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