quinta-feira, 3 de junho de 2010

A safadeza está nos olhos de quem vê

Kylie Minogue lançou oficialmente hoje o clipe do single "All the Lovers" - segundo muitos, ficou super sensual, mas não acho que esse seja o objetivo.

Já aviso que você pode achar abusado ou esquisito de primeira. O que é uma ótima tática de venda, não é? Sensualidade (sempre funciona) e algo que cause incômodo, ou só chame a sua atenção. Qualquer um estranharia aquelas pessoas arrancando suas roupas e se atirando umas nos braços das outras, mas ficou simplesmente fantástico. Harmonioso. Na verdade, quando você assiste duas vezes e entende que a idéia não é um bacanal, e sim, um amor livre, passa a ser realmente bonito.

Quando o vídeo começa, é super legal ver os casais tocando o foda-se e se abraçando/beijando sem se importar com o resto, as regras ou o que pensariam disso. Parece uma utopia: o dia em que todos poderão dizer sim e ninguém terá dores de amor!

Mas... Quando faz um bolo de gente, é estranho. Não há o que negar, é realmente estranho ver todo mundo tocando todo mundo (medo do futuro - e do presente, porque isso já ocorre em alguns lugares - da humanidade).
Só que tudo bem, a idéia é aceitável porque, apesar da imagem ser como é e remeter ao que remete (suruba!) não há malícia, nem nada que se assemelhe - a menos que você queira ver isso. Lá há apenas o carinho, a aceitação dos outros como seus semelhantes. Você ve a sintonia e a paz que isso gera,  porque nada mais importa quando todos se entregam ao amor [chega, ok].

Claro, foi mesmo meio nada a ver aquele cavalo branco, mas, conversando com uma amiga, cheguei a conclusão de que ele pode ser um símbolo de liberdade. O elefante  branco no céu é uma incógnita, mas ver não tem motivo para o balão inflável. Ou ele só queria representar uma celebração, como uma data especial, como um marco.
Outro ponto é o final. Aquele amontoado imenso de pessoas me fez rir. A idéia é ótima, aquela migração em massa para o amor e tal, mas ficou muito engraçado porque é simplesmente hilariante pensar que os humanos começariam a se escalar e a se esmagar. Enfim.

O clipe é bom, visualmente falando também. O branco não ficou aquela coisa enjoativa e ofuscante,  a fotografia passa totalmente a idéia, e a coreografia ficou muito legal. Os braços e os movimentos dos corpos, todos juntos, leva a mesma idéia de união faz a força e somos todos um. É, puro, já sabemos.

E eu fiquei pensando se o futuro seria isso. Um amor sem limites, regras, preconceitos...  Porque as pessoas falam bastante de promiscuidade, e é claro que ela existe, mas será que não estamos uma fase de transição para que o amor seja encarado de um modo mais livre ou até, por que não, universal?
Será que é a decadência do ser humano ou será que estamos sendo, tipo assim, nojentinhos, individualistas e puritanos demais? É um pensamento influenciado ou estamos nessa só porque é contra as proibições? É a Igreja quem proíbe?
Quem proíbe, no fim das contas?
Deus?
Será que o mundo não seria mais pacífico e, por conseqüência, mais feliz caso tivessemos um amor assim, maior que a nossa capacidade de olhar só para os nossos problemas, limites e preconceitos? Porque, sério, esse amor em massa - não necessáriamente algo como um puteiro - me faz pensar que o ser humano evoluiria, espiritualmente falando. Que teria barreiras quebradas e, ah, nem eu sei direito, mas me faz sentir que o mundo seria mais compreensível - e ele anda tão incompreensivo e incompreendido que a necessidade de amor é gritante.

Eu sei que um montinho de pessoas soa daquele jeito, mas tente ver o outro lado. A união, a compreensão, o preenchimento daquele vazio que, com certeza, você sente ou já sentiu. Não estou te encorajando a amar a galera toda e a sair por aí achando que o clipe pode se tornar real e etc. Deus me livre.
É uma questão de que o amor é dar e receber, e isso faz as pessoas felizes sim. Ele cura as feridas, ele alimenta a alma e some com os problemas que parecem monstros. E caso seja esse o futuro da humanidade...
Deus deve estar bem positivo lá em cima.

E o otimismo dessa música me contagia.





All the loveeers, yeah yeah yeeeah

1 comentários:

Steph S. R. disse...

Acho que o que denota que há algo a mais além da ideia, bem, de algo mais pro lado sensual (ou como você mesma disse, bacanal), é o cenário do clipe, as pessoas e até mesmo as cores. Há um grande uso de branco, até nas roupas, se não me falha a memória, dando um ar mais puro e tranquilo ao clipe. Até os gestos, que poderiam ser puxados para um lado mais sexual não se assemelham tanto a isso – não há essa sensação tão compactada nelas, sabe? Você reconhece que aquilo poderia significar algo mais... Mas não chega a isso. Nem sei o porquê, mas foi isso que eu senti ao ver as pessoas se beijando e se acariciando, que até havia uma conotação, mas não chegava lá.

No final, penso, com aquele amontoado de gente, me veio a ideia de todos como um só ser, a literal união de todos. E nossa, esse clipe nos faz viajar em cada ideia, haha!

Mas você já disse bastante do que eu pensei sobre esse clipe, heh, e mesmo que a cantora quisesse dizer uma coisa totalmente diferente do que entendemos, acho que foi uma ótima mensagem de qualquer jeito. Dificilmente lembramos que amar ao próximo - a todos - deveria ser importante.

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