domingo, 11 de julho de 2010

Se isso não é amor, o que será então?

   Eu gostaria de saber onde é que foi parar o amor. Sinceramente. Não a paixonite, ou a paixão, mas o amor de que tanto falam. O amor que  supera tudo. De todo o meu coração, cadê isso, onde você encontra? Em páginas com palavras bonitas e declarações doentias? Num volvo prata? Na eternidade que, desculpa, não existe? No que o outro sabe fazer para impressionar? No quanto ele é capaz de te proteger dos inimigos? Desculpe, de novo, mas em que mundo você vive? A Veja desse mês acabou de destruir qualquer espectativa que eu possuía com a minha própria geração.
    O romance é bem vindo, é uma questão de de identificar ou não. Declarações de amor não faltam só aos enamorados, faltam ao mundo todo: quantos pais hoje em dia deixam claro o seu amor pelos filhos, por exemplo? A proteção que alguém te dá, quando ama, não é a proteção que um guarda-costas te dá. Não é algo palpável, e não é questão de sentir uma princesa com alguém disposto a lutar por você - se não, onde estaria a "proteção" dos homens? É outra coisa, e se chama segurança. E isso sim pode vir de ambas as partes.
   Se você adora quilos de porpurina num homem magrinho, bem, gosto é gosto. Mas dizer que uma pessoa que ama de verdade, realmente, tem medo de envelhecer? Que tipo de amor seria isso, me explique? Não, espera, não era exatamente o amor aquele sentimento capaz de barrar as fronteiras, sejam elas de distância ou idade (numa proporção incabível de 100/17), então... Não seriam as barreiras de beleza também?
   
    Adolescentes têm medo da velhice. Ela vai "tirar seu frescor", não vai? Vai te deixar mais amargo, também: enquanto você gasta tempo em frente ao espelho com cremes anti-rugas, seus supostos "sentimentos" estarão apodrecendo e decaíndo. Como maças podres, sabe? Elas caem e se espatifam, e nem mesmo uma maldita minhoquinha vai chegar perto delas.
   Porque estão podres. Elas não prestam mais. Você não vai durar para sempre, porque o ser humano, como todas as coisas que existem, eles morrem. Eles morrem e apodrecem. E o que nos resta?
    Quando meu pai morrer, e eu odeio pensar nisso, mas ele vai morrer, o que vai restar para a minha mãe? Ou o dinheiro que ele tem vai nos consolar, vai nos fazer sentir como se ele ainda estivesse ali? A beleza dele vai estar lá? A proteção dele, ela ainda vai estar lá?
   Ninguém vai estar lá se não o que resta - e o que resta sempre, você querendo ou não, é o que sentem por você. Isso depende muito de tudo, da sua história, do que você é e do que merece, mas é o que sentem ao seu respeito que vai fazer a diferença. Porque se sentirem ódio, vão te difamar, vão te criticar mesmo enquanto morto, vão te humilhar e mostrar como você foi errado. E depois de algum tempo, as pessoas vão se cansar de fazer isso e você será simplesmente apagado da memória. Como modinhas. Depois de alguns meses, elas acalmam. Ou talvez depois de alguns anos... Bem, elas são todas esquecidas, do mesmo jeito.
   Mas se te amarem... As pessoas vão dizer seu nome  com respeito e vão gostar de lembrar como se sentiam bem ao seu lado. Elas vão recordar de como você era bom, e das coisas boas que você fazia. E você vai continuar vivo nas atitudes e lembranças delas. Dentro delas, no coração delas. Isso é amor. Amor é o que te eterniza.
    E não o inverso. Não é a eternidade que é responsável pela força do seu amor ou o que o engrandece. É o justamente quando há um sentimento infinito que a eternidade se torna cabível.
    Não é uma questão de o amor ser cego, ou de ver a essência. Porque o amor não é cego, ele apenas não tem olhos para coisas que não importam de verdade. E a essência já é o próprio amor, e se você não tem amor dentro de você, não há então essência, como não há uma resposta para o seu vazio, e você vai continuar num mundo só seu, inacessível, sonhando com a idealização do que seria o amor - que você nunca vai conhecer.
  


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