domingo, 10 de outubro de 2010

Aborto: de quem é a decisão?

      Aborto é uma coisa séria, com consequências ainda mais sérias. O que temos de meninas mortas por causa dessa prática ilegal não é pouco. Além de envolver uma questão de liberdade de escolha, sexualidade precoce e banalizada, direito à vida, falta de fiscalização e responsabilidade em fazer valer a lei (que seria aborto é proibido) e crenças religiosas, há todo um psicológico e físico da mulher prejudicado e uma questão profunda de ética - ou sjea, é quase impossível de se chegar num acordo.
     Tecnicamente, eu sou a favor da legalização do aborto. Não venha me dizer que em texto dissertativo não se usa "eu", isso não é uma redação para o vestibular. Eu sou a favor. Não que eu ache bonito, legal, justo, magnífico e divino abortar - na verdade, se não for um caso de estupro, é caso de gente sem noção -, mas eu acho que as mulheres podem ter o direito de escolher. O argumento que se refere ao quanto isso é injusto, já que tiramos a escolha do feto, não faz sentido para mim. Ele não tem escolha. Ele é um punhado de células, sem consciência. É só um futuro com forma de gente em formação.
    Ou você acredita naquela visão que pregam? "Mamãe, estão arrancando minhas mãozinhas! Estão invadindo minha casinha! Estão me separando de você!" Faça me o favor. Eu sou sentimental ao ponto de chorar com isso, mas racionalmente falando, o seu feto não é como uma criança, que tem esse tipo de pensamento desenvolvido. Ou sei lá, quando você pega um ovo da galinha você acha que a gema está piando para ela? 
    "Os receptores da dor surgem na pele na sétima semana de gestação. O hipotálamo, parte do cérebro receptora dos sinais do sistema nervoso, forma-se à quinta semana. Todavia, outras estruturas anatômicas envolvidas no processo de sensação da dor ainda não estão presentes nesta fase do desenvolvimento. Existe também a possibilidade de que o feto não disponha da capacidade de sentir dor, ligada ao desenvolvimento mental que só ocorre após o nascimento" (Wiki, como sempre, salvando uma pesquisa). Como você vê, o seu feto não é um humano formado, e eu sei que isso é óbvio, mas as pessoas tecem argumentos em cima disso como se não fosse. Não, o feto não vai chorar. Ele sequer tem um lado emocional como o seu. Aliás, o lado emocional começa a ser desenvolvido com as sensações que passam da gestante para o bebê.
     Assim sendo, é pouco inteligente se você não observar como a raiva, o ódio, a repúdia e a rejeição podem passar para o feto. São os sentimentos de muitas mães que simplesmente não querem seus filhos. As razões pelas quais elas estão gestando uma criança não importam agora, e muita gente tinha mesmo é que se ferrar para aprender que só sexo não é vida e que gente com dezesseis anos não tem a mínima maturidade para isso. Mas que culpa tem o seu querido, inocente e desprotegido feto? O fato de sua mãe ser uma babaca não é culpa dele, é? Ou ele não pode ter o direito de escolher se ele realmente queria uma mãe que o rejeitasse?
    Opa, é mesmo, ele não pode escolher. Ele é um feto. Ele sequer tem um cérebro ainda.
    Mas a mãe dele pode escolher. Ela pode ir até uma casa, com uma velha sinistra e umas assistentes tapadas, pedir um aborto, e não sair de lá viva. Ou sair com sérias sequelas. E ainda, agindo contra a lei.
    Se o aborto fosse legalizado, vamos supor que teriam campanhas sobre como você pode contrair traumas após praticar isso. Vamos deixar de passar propagandas leves na televisão, porque ninguém é retardado para ficar vendo um carro amassado e sentir medo. As pessoas não têm medo disso. Essa banalização extrema de hoje em dia faz com que poucas coisas deixem o povo em choque. Então seja um pouco louco, e coloque uma propaganda fudida sobre aborto. Coloque dor, sangue, deixe as pessoas verem o feto triturado, verem a mulher apática, verem o estrago que uma decisão errada numa hora mais caliente pode fazer. Deixe claro que o páis não é católico, e sim laico - porque, fala sério, a Igreja Católica fala sobre isso como se tivesse o poder da decisão. Eles podem ser até enviados de Deus, mas Deus eles não são. Logo, católicos chatos, calem a boca e observem quem tem poder agir - no caso, o Estado. Beijos.
    Não acho a legalização do aborto o fim do mundo.  Falo mesmo. Não que isso seja um critério na hora de votar, mas é a minha opinião. Legalizem, deixe profissionais sangue frio fazerem essa imundice direito, deixem as pessoas consciêntes das consequências e deixem-as tomar decisão. E aí, quando uma idiota resolver abortar, ela vai lembrar que essa escolha vai ter efeitos que duram a vida toda. E quando ela sair de uma clínica, que fez uma coisa dentro da lei e de uma forma medicinalmente correta, ela vai pensar se valeu mesmo a pena. Se ela sequer tiver amor no coração, provavelmente vai esquecer rápido.
    Mas se ela for como qualquer outra mulher é, tenho medo do tamanho que vai ter a sombra do seu arrependimento. Pelo menos, ela teve o poder de decidir.

 http://weheartit.com/entry/4103108








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